:: Bento XVI
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Saudamos com fé e respeito a eleição do Cardeal Ratzinger como o sucessor de Pedro.

A prática de Jesus de Nazaré é, e sempre será, o mais perfeito indicativo da missão do novo Papa como autoridade para construir a unidade da Igreja. Logo no início de sua vida pública, Jesus define-se ao se referir ao profeta Isaías: “O espírito do Senhor está sobre mim, pois ele me consagrou com a unção, para anunciar a Boa Nova aos pobres: enviou-me para proclamar a libertação aos presos e, aos cegos, a recuperação da vista; para dar liberdade aos oprimidos e proclamar um ano de graça da parte do Senhor” (Lc. 4,18-19).

Jesus é o servo da humanidade e ensinou-nos que o verdadeiro poder é serviço. Este não é, nem dominação nem força opressiva. É firmeza que liberta e salva.

Pesa sobre o novo Papa grandes desafios da humanidade, nestes tempos difíceis e conturbados.

A globalização financeira obscureceu e muito as positivas possibilidades que têm os homens e as mulheres de se aproximarem e de serem solidários. A repartição dos bens é desigual em virtude da tremenda concentração da riqueza nas mãos de poucos. As grandes desigualdades fazem com que haja muitos partidários de um novo mundo possível. Espera-se que o terrorismo e a desconfiança mútua não estejam na ordem do dia.

Por conta desse desarranjo universal assistimos a uma escalada de violência, sem precedentes na história da humanidade.

Há uma imensa carência de autoridade moral por parte das pessoas que exercem autoridade nesse momento crítico da história. As grandes lideranças estão desnorteadas, emudecidas ou perplexas. João Paulo II ocupou, a seu modo, este espaço vazio. Agora Bento XVI segue a sua trilha.

O mundo de hoje continua carente de uma autoridade moral que insista na possibilidade de se romper este círculo vicioso. Urge um salto de qualidade gigantesco para se fugir da barbárie e lançar as bases de uma nova ordem mais solidária.

Pedimos ao Deus de bondade e misericórdia para o nosso novo Papa sensibilidade e compaixão, compreensão e tolerância para os homens e mulheres de nosso tempo, angustiados e desfigurados na sua humanidade.

Que ele exerça sua autoridade, como bispo de Roma e como ponto de unidade, apoiando-se nos seus irmãos bispos de todas as nações. Sabemos como é árduo e difícil alguém arcar, sozinho a missão de confirmar a fé dos irmãos. O exercício da atitude de serviço, sem dominação, torna-se mais leve quando compartilhado, mesmo que em alguns momentos seja requerido dirimir questões.


Serão vozes unidas, corajosas e comprometidas, que se levantarão, para defender o ser humano, homem e mulher, em espírito e verdade.

Os pobres, os coxos, os cegos e os vários deserdados que procuravam o nazareno são hoje todos aqueles que carecem de quem, com coragem, os ajude a criar as condições de viverem no mundo onde haja espaços para todos.

O Evangelho define a fidelidade primordial exigida de Bento XVI, como outrora Jesus pediu a Pedro, homem frágil como qualquer outro, no exercício de sua autoridade: “Simão, filho de João, você me ama...” “Sim, Senhor, tu sabes que eu te amo...” “Cuida dos meus cordeiros...” (Jo. 21, 15).

Saudamos Bento XVI o novo pastor da humanidade globalizada, angustiada, perplexa e carente de uma profunda experiência da ternura humana solidária.

Que seja ele alguém capaz de descortinar o novo caminho e ajude a recolocar no seu devido lugar o homem e a mulher alienados pela globalização hegemônica do dinheiro, pelo poder autoritário da força e da violência de todos os terrorismos.

Bem-vindo e que o Senhor Ressuscitado, que nos prometeu o seu Espírito sempre presente, o fortaleça no exercício do seu ministério.

Brasília, 23 de abril de 2005

Pe. Virgílio Leite Uchôa

Pároco